Alegria na fraqueza

Certa vez, Santa Teresinha, devido à sua saúde tão fragilizada pelo avanço da tuberculose,  precisou negar um favor para uma das Irmãs de sua comunidade. Na ocasião, demonstrou certa impaciencia pelo fato de a Irmã perceber que ela estava febril e mesmo assim insistir para que ela lhe prestasse aquele favor.

Se arrependendo da impaciência, escreveu uma carta a Madre Inês, sua irmã de sangue, expressando seus sentimentos a respeito do fato. Ela se viu imperfeita, mas descobriu na própria fraqueza a alegria de ser amada por Deus de modo incondicional. Compreendeu o que dizia são
Paulo: ” É nas fraquezas que me glorio, pois nelas se revelam a força de Deus!”

Abaixo, o trecho da referida carta:

Mãezinha querida, vossa filhinha ainda agora derramou mais algumas suaves lágrimas de arrependimento, mas ainda mais de gratidão e de amor… Ah! Esta tarde, dei uma demonstração de minha virtude, dos meus tesouros de paciência!… Eu que prego tão bem aos outros!!! Estou satisfeita porque vistes a minha imperfeição. Ah! Quanto bem me faz ter sido má… não repreendestes vossa filhinha embora o merecesse. Mas a isso está habituada a vossa filhinha, a vossa doçura fala mais do que palavras severas, sois para ela a imagem da misericórdia de Deus. Sim, mas… a Irmã São João Batista, pelo contrário, é habitualmente a imagem da severidade de Deus; pois bem! Acabo de encontrá-la e, em vez de passar friamente a meu lado, me abraçou dizendo-me: ( absolutamente como se eu tivesse sido a menina mais mimosa do mundo) “Pobre Irmãzinha, tive pena de vós, não quero cansar-vos, fui eu que errei, etc, etc”. Como sentisse no meu coração a contrição perfeita, fiquei pasmada que ela não me tivesse passado uma repreensão. Bem sei que no fundo, ela deve achar-me imperfeita, é porque pensa que vou morrer que me falou assim, mas não importa, só ouvi da sua boca palavras doces e ternas, então achei-a muito bondosa e eu muito má… Ao voltar para nossa cela, perguntava a mim mesma o que Jesus achava de mim, mas logo me lembrei das palavras que um dia ele disse à adultera: “Alguém te condenou?” E eu com lágrimas nos olhos respondi: “Ninguém, Senhor… nem minha Mãezinha, imagem da vossa ternura, nem minha Ir. S. João Batista, imagem da vossa justiça, e sinto que posso ir em paz, pois nem vós me condenareis.”

Mãezinha, por que é que Jesus é tão indulgente para comigo? Por que nunca me repreende? Ah! Francamente, é de se morrer de amor e gratidão…

 

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